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Itália Roma
Conta uma lenda que certa vez um homem muito cruel
atacou o pai de dois gêmeos, o aprisionou, raptou seus dois filhos e os
abandonou na floresta para morrerem. No entanto o choro das crianças
atraiu a atenção de uma Loba que os encontrou e decidiu levá-los e
amamentá-los como se fossem seus filhotes. Um dia um camponês passava
pela floresta, viu as duas crianças mamando na Loba e decidiu levá-las
e batiza-las com os nomes de Rômulo e Remo. Muito anos depois, já
adultos, eles foram a procura de seu pai, o encontraram, libertaram e
puniram o homem que o havia aprisionado. Depois voltaram para o lugar
próximo às margens do rio Tevere, onde a Loba os tinha amamentado por
tantos anos, e decidiram que aquele deveria ser o lugar de uma nova
cidade. Esta cidade foi fundada no dia 21 de abril do ano 753 antes de
Cristo, e o nome para ela escolhido foi Roma.
Um dos episódios mais famosos da história de Roma
é o do Rapto das Sabinas. Conta a história que após fundar a cidade,
Rômulo, Remo e os outros homens não sabiam como povoá-la, já que
faltavam mulheres. Decidiram então dar uma festa e convidar a tribo
vizinha dos Sabinos, junto com suas mulheres e filhas. Durante os
festejos um sinal marcou o momento combinado para os jovens Romanos
raptarem todas as mulheres trazidas para a festa. Muito mais tarde, os
homens Sabinos voltaram, decididos a atacar Roma e libertar suas
mulheres, mas era tarde demais. Muitas delas já tinham se apaixonado
pelos seus captores e não queriam mais voltar para casa. Daí em
diante, Romanos e Sabinos passaram a viver juntos e formaram um único
povo.
Construído às margens do rio Tevere, o Castelo de
Santo Angelo foi construído a partir do ano 139, e tem este nome
porque, no ano 590 um anjo surgiu no prédio, para anunciar que a peste
que atacava Roma logo acabaria. Durante a época medieval esta foi a
mais importante das fortalezas pertencentes aos Papas, mas serviu
também como calabouço e prisão para muitos patriotas, na época dos
movimentos de unificação da Italia ocorridos no século 19. De seu
terraço superior, tem-se uma vista linda do rio Tevere, dos prédio da
cidade e até mesmo do domo superior da Basílica de São Pedro, no
Vaticano.
O império Romano começou a florescer a partir do
ano 265 antes de Cristo. Foi apenas neste ano que as tribos Romanas
conseguiram conquistar toda a península correspondente ao território
Italiano e partir daí rumo à construção de um império mais extenso.
É deste período o início das chamadas Guerras Púnicas, realizadas
contra o império estabelecido em Cartago, uma poderosa civilização
que se estendia desde a costa norte da África até o Estreito de
Gibraltar.
Nesta foto disseram que eu estava com jeito de
"exploradora Inglesa em meio às escavações"... Ela foi
batida num dos lugares mais emocionantes da cidade: As ruínas da Roma
antiga. Esta área histórica ocupa grande parte do centro, e
logicamente, é uma região tombada, onde tudo é intocável. Esta
profusão de ruínas da Roma antiga impede até mesmo o metrô da cidade
de expandir suas linhas, mas este é um custo plenamente justificável,
pois este é um pedaço da história da humanidade, visitado diariamente
por pessoas de todas as partes do mundo. Forum Romano, Arco de Setimus
Severus, Curia, Casa das Vestais, Templo de Castor e Pollux, Arco de
Titus, Palatino, Arco de Constantino, Templo de Vênus e de Roma,
Mercado de Trajano, Forum de Augustus, Templo de Fortuna Virilis, Porta
Maggiore, Circus Maximus, só para citar alguns, formam uma sucessão de
lugares maravilhosos, que nos dão vontade de voltar no tempo para ver o
esplendor e grandeza desta cidade em seu apogeu, na época dos Césares.
No ano 146 AC o império de Cartago é completamente
derrotado pelos Romanos. Os Cartaginenses são transformados em escravos
e sua capital é incendiada. Como resultado dessa vitória o império
Romano passa a incluir, além da península Itálica, também os
territórios da Espanha, Grécia, Egito, África do Norte e parte da
Ásia. Em quase todos estes territórios os Romanos construíam
fortificações, de forma a manter a ordem das colônias conquistadas.
Muitas dessas ruínas podem ainda hoje ser encontradas em diversos
pontos da Europa.
A Piazza Di Spagna é um dos locais mais conhecidos
de Roma. A vista que se tem do alto destas escadarias é uma das
melhores da cidade, o que fez deste local uma escolha freqüente de
muitos diretores de cinema. Este é um local tradicional de encontro de
gente jovem, turistas, e artistas de rua, que costumam se reunir em
torno da Fontana della Barcaccia, na base desta escadaria, ou nas ruas
em volta, para papear ou ficar de azaração. A igreja do topo, Trinità
dei Monte, foi construída em 1495, e contém muitas obras de arte.
Perto desta praça fica também outro ponto importante da cidade, a Via
Condotti, uma das ruas mais elegantes de Roma, onde ficam várias lojas
de griffe, além do mais tradicional dos cafés da cidade, o Caffé
Greco. Outra caminhada muito agradável é percorrer a badalada Via del
Corso, uma das mais movimentadas artérias de Roma, que segue desde o
Vittoriano até a Piazza del Popollo (Praça do Povo), que de praça
não tem nada, mas é sem dúvida um dos endereços mais concorridos de
Roma. Vale a pena uma ida, nem que seja para tomar um gellato.
Entre os anos 100 e 44 antes de Cristo viveu um homem
que influenciou para sempre o império romano, e que passaria a ser
lembrado para sempre por suas conquistas e pelo seu legado: Júlio Cesar.
Conquistador, reformista, determinado, genial e absolutista, ele
enfrentou poderosos oponentes políticos, implementou importantes
reformas sociais, conseguiu grandes vitórias militares, e teve até um
romance com Cleópatra, rainha do Egito. Oponentes invejosos, no
entanto, não aceitaram tanto poderio, e tramaram sua morte. A
conspiração chegou ao clímax em 15 de março de 44AC, quando César,
ao chegar no senado, foi assassinado por um grupo liderado por Cassius e
Brutus, este último, até então, um de seus mais fiéis colaboradores.
Entre os mais lembrados legados de César ao mundo ocidental está o
calendário anual de 365 dias, com um dia a mais nos anos bissextos. A
influência deste homem na formação do império foi tão grande que
daí em diante todos os futuros imperadores romanos passariam a usar o
título de Cesar, nome que passou a ser considerado sinônimo de
grandeza e poderio absolutos. Conheça mais sobre sua vida no site The
Last Dictator (texto em inglês).
De todos os lugares históricos de Roma o mais
conhecido é sem dúvida o Coliseu. Neste local muitos cristãos foram
lançados às feras. Sua construção foi iniciada pelo imperador
Vespasiano no ano 72, sendo inaugurado oito anos depois. O prédio tem
forma elíptica, medindo cerca de 200 por 160 metros e com paredes de 60
metros de altura (um prédio de 20 andares). De acordo com os registros
históricos, nos 100 dias de espetáculos de sua inauguração, milhares
de gladiadores e feras foram mortos. Este local sempre foi considerado
como o maior símbolo da Roma Imperial e na comemoração dos 1000 anos
de Roma, no ano 246 da era cristã, foram trazidos para o Coliseu 32
elefantes, 30 leões, e muitas zebras, girafas e tigres, para enfrentar
2000 gladiadores, numa festa que durou meses. Infelizmente, com o passar
do tempo, parte do prédio foi derrubado por terremotos, e diversos
outros trechos foram desmontados para que suas pedras fossem
aproveitadas em outras construções da cidade. Só após muitos
séculos é que foi dada a devida atenção a este local, monumento vivo
da história de Roma, do Cristianismo, e do mundo.
Um dos mais famosos e cruéis imperadores a governar
Roma foi Nero, entre os anos 54 e 68 da era Cristã. Como tinha apenas
14 anos quando subiu ao trono, o governo foi inicialmente executado por
Agripina, sua mãe. Inconformado com isto, Nero assassinou Agripina para
chegar mais rápido ao poder, dando início a um reinado de terror que
incluiria, no ano 64, a ordem de ater fogo à cidade de Roma e atribuir
a culpa do incêndio aos Cristãos. Outro nome de triste lembrança é o
do imperador Calígula, que governou entre os anos 37 e 41. Louco e
depravado, ele chegou a ponto de nomear seu cavalo como senador.
Um impressionante corredor de aspecto medieval é
parte da subida para o terraço superior do Castelo de Santo Angelo.
Aqui existe também um museu, onde se pode ver os apartamentos papais
tais como eram na época em que o palácio era moradia dos papas, com
sua decoração original. Há vários locais para serem visitados neste
prédio, um dos mais interessantes é o pátio do anjo, na parte
superior, e o pátio de munições, onde ficam as antigas balas de
canhões empilhadas.
O período compreendido entre os anos 96 e 180 é
conhecido como o dos Cinco Bons Imperadores, quando Roma retorna a um
sistema de governo estável e próspero. Os cinco imperadores desta
época foram Nerva (entre 96 e 98), Trajano (98 a 117), Adriano (117 a
138), Antoninos Pius (138 a 161) e Marco Aurélio (161 a 180). Durante
este período o império Romano desfruta do que ficou conhecido como Pax
Romana, um sistema que administrava os territórios conquistados de
forma não belicista, e que permitia seu desenvolvimento, livre
comércio e relativa liberdade, desde que eles não questionassem a
autoridade do César e que tampouco deixassem de pagar seus impostos em
dia. Nesta época o império Romano atingiu seu esplendor máximo,
cobrindo praticamente toda Europa, norte da África e parte da Ásia,
desde o norte da Escócia até a região que hoje corresponde à
Turquia.
Um dos pontos mais agradáveis e românticos de Roma
é a Piazza Navona, usada na Roma Imperial para corridas de cavalos, ou
inundada para a realização de batalhas navais. Rodeada de prédios
históricos e simpáticos bares com mesas nas calçadas, uma boa pedida
aqui é sentar num deles, pedir o tradicional sorvete Tartufo, e ficar
apreciando o movimento em volta. Nesta praça ficam as lindíssimas
fontes - fontanas - de Fiumi, Moro e Nettuno. É nesta praça também
que fica a embaixada do Brasil. .
Com a morte de Marco Aurélio, no ano 180, Commodus
é feito imperador. Este período é considerado como o início do fim
do império Romano. O novo imperador revela-se um tirano e termina
assassinado em 192 por um grupo de conspiradores. Como ele não chegou a
escolher um sucessor, o trono do império passa a ser disputado por
diversos candidatos, o que leva Roma à guerra civil. No ano 235 Roma
passa a ser governada por um grupo de 26 militares, dentre os quais
constavam alguns conhecidos inimigos do império.
Em 284 chega ao poder o imperador Diocleciano. Ela
reorganiza o poder do império Romano, torna independentes as
administrações civis e militares, introduz nova legislação
agricultural e novo sistema de pagamento de impostos. Mas em 305, com
sua morte, recomeça a guerra civil, a qual dura sete anos e só termina
com a vitória de Constantino, que viria a ser o novo imperador.
Constantino é lembrado como o primeiro imperador Cristão do império
romano, e em 313 assina um decreto abolindo a perseguição aos
Cristãos em todo o império.
Ninguém pode se dar ao luxo de visitar a cidade sem
ir até a Fontana de Trevi, a mais famosa fonte de Roma, e jogar nela
uma moedinha, para assegurar que um dia voltará à cidade eterna. Sua
origem vem desde o século 19 antes de Cristo. Aqui era o ponto final de
um aqueduto responsável pelo abastecimento da cidade. Se você passar
por aqui entre meio dia e duas da tarde, aproveite para almoçar, pois
em volta da fonte existem alguns ótimos restaurantes, com bons preços
e comida deliciosa. Não esqueça de pedir o vinho da casa para
acompanhar!
De acordo com o ritual romano, a forma correta de se
jogar uma moeda na Fontana di Trevi, e com isto assegurar que você um
dia voltará à Cidade Eterna é ficar de costas para a fonte, segurar a
moeda com a mão direita, e jogá-la para trás, com um movimento sobre
o ombro esquerdo. Não se deve olhar para a moeda, mas por via das
dúvidas peça para um amigo ou amiga conferir se ela caiu mesmo na
água....
Conheça também o Vittoriano, apelidado de
"máquina de escrever". Construído entre 1885 e 1911, em
homenagem a independência Italiana, ele guarda o túmulo do soldado
desconhecido. Esta é uma das maiores construções de Roma, e é
praticamente o centro do centro. Neste ponto começa a Via del Corso, a
avenida mais central da cidade, repleta de lojas finíssimas,
restaurantes e locais da moda. Em sentido contrário, a Via dei Fori
Imperiali, nos conduz direto ao Coliseu. Depois vá até a Galleria
Borghese, que guarda uma das mais famosas coleções de arte de Roma.
Ela foi nomeada em memória ao Cardeal Scipione Borghese, grande
incentivador das artes. Lá estão obras belíssimas de artistas
clássicos como Rubens, Boticelli, Bellini, Giorgione e Veronese.
Uma visita a Roma sem uma ida ao Vaticano não
estaria completa. Geralmente às 4as feiras é dada a benção papal,
quando o Papa chega até a janela para saudar a multidão. Neste dia,
como era feriado de Ascensão do Senhor, tivemos a sorte de poder
assistir a missa rezada pelo próprio, na riquíssima basílica de São
Pedro (ao fundo da foto a direita). Há muito para visitar no Vaticano,
com destaque para a própria Basílica, o Museu, e a famosa Capela
Sistina, onde se pode apreciar os deslumbrante afrescos pintados no
teto, de autoria de Michelangelo.
Em 330 o imperador Constantino constrói uma nova
capital, batizada de Constantinopla (atual Istambul), situada na divisa
entre Europa e Ásia, e passa a controlar de lá o império romano. Com
sua morte, o império passa a ser administrado por seus três filhos,
que logo começam a brigar entre si, contribuindo ainda mais para o
enfraquecimento de Roma. Em 361 o imperador Flavius Claudius Julianus
tenta revogar as leis Cristãs promulgadas por Constantino e restaurar o
sistema pagão, mas não tem sucesso e o Cristianismo espalha-se cada
vez mais pela Europa até que, no ano 380, é declarado como única
religião oficial do império romano.
O ano de 378 marca uma decisiva derrota militar de
Roma, quando suas legiões são arrasadas pelos Visigodos, tribos
bárbaras originárias do território que hoje corresponde à Alemanha.
Pouco a pouco os Visigodos avançam sobre os territórios Romanos,
fazendo com que o império diminua cada vez mais. Theodoro I é
considerado o último imperador a conseguir controlar um território
unificado, e depois dele, o declínio do império Romano será
irreversível. Conheça mais sobre os imperadores de Roma no site
Imperatoribus Romanis (texto em inglês).
O templo de Antonius e Faustina fazem parte do
incrível Forum Romano. Embora o esplendor da cidade imperial não
esteja mais presente, este será sempre um dos lugares mais belos do
mundo, além de sua eterna capital espiritual. Roma é como um vinho
especial, e deve ser degustada aos poucos para ser sentida e apreciada
em tudo que oferece. É uma visita que deve ser feita com todos os
sentidos, e principalmente, com o coração.
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