|
APAIXONANTE ROMA
Com seus monumentos e obras de arte, esta cidade de 2
700 anos de história é o cenário perfeito para uma viagem inesquecível
POR LUIZ MACIEL FILHO
FOTOS VALDEMIR CUNHA
Simpático e tagarela, o taxista do Aeroporto Leonardo
da Vinci, em Roma, nem me deixou completar a frase. - Si Hotel Jolly, si -
cortou, quando ameacei ler o endereço que havia anotado num pedaço de
papel. Com a autoridade de quem conhecia a capital italiana como a palma
da mão, ele conduzia o carro e a conversa em alta velocidade, emendando
um assunto no outro como se fôssemos velhos conhecidos. Ao cabo de uma
hora desse incansável - e divertido - monólogo, numa corrida com direito
a algumas conversões proibidas, duas travessias no sinal vermelho e uma
freada brusca para comprar jornal de um vendedor ambulante, chegamos ao
destino. Ou quase, já que a reserva que eu tinha não era no Hotel Jolly,
perto da elegante Via Veneto, onde o táxi acabava de estacionar, mas sim
no modesto Hotel Giolli, espremido entre as lojas da bem menos charmosa
Via Nazionale.
Esse, digamos, acidente de percurso engordou a contado
táxi em uns 15 dólares e esticou a viagem por uma boa meia hora - mas
não passou de uma confusão tipicamente romana, espontânea e inofensiva
por natureza. Na expressão do motorista arrependido, chegou a ser até
uma espécie de boas-vindas, como se ele dissesse: relaxe, meu caro, você
está em Roma, uma das cidades mais bonitas e apaixonantes do mundo. Uma
cidade, aliás, com 2 700 anos de história - e que história! -, mas que
nem por isso pode ser resumida à sua imensa coleção de monumentos e
ruínas, por mais impressionantes que sejam essas relíquias. Além de ser
um extraordinário museu a céu aberto, o maior que se pode encontrar,
Roma é, principalmente, um lugar animado e romântico. Suas praças e
fontes, desenhadas pelos melhores artistas do Renascimento, estão sempre
tomadas por casais apaixonados, lembrando que a vida é bela - e que seria
uma enorme perda de tempo deixar-se levar, aqui, por pequenos
aborrecimentos causados por taxistas presunçosos, garçons esquecidos ou
motoqueiros folgados que invadem a faixa de pedestres debaixo do nariz dos
guardas.
Aproveitar o tempo nesta cidade de 3 milhões de
habitantes, tão cheia de atrações e de História, é um belo desafio ao
visitante de Roma. É bom saber, logo de cara, que você não vai
conseguir, por mais que se esforce, visitar um décimo dos monumentos e
obras de arte locais considerados "obrigatórios" pelos guias de
viagem. Nem Federico Fellini, o mais festejado cineasta romano, que amou
essa cidade como ninguém e costumava virá-la pelo avesso atrás de
locações para seus filmes, conhecia tudo. Por isso, não se sinta
culpado se ouvir, na volta ao Brasil, aquelas tradicionais observações
venenosas dos despeitados, tentando diminuir a sua viagem só porque você
não esteve no Museu Nacional Etrusco, não admirou a escultura Êxtase de
Santa Teresa na Igreja de Santa Maria della Vittoria ("o melhor
trabalho de Bernini", dirão) ou, mais imperdoável ainda, não
recebeu a bênção do papa no Vaticano. Admita, modestamente, que a
cidade que foi sede do maior império do Ocidente, viu o cristianismo
nascer e ensinou ao mundo noções de direito e política que vigoram até
hoje não pode caber em uma semana ou duas de férias. E contente-se em
degustar a melhor fatia que puder.
Com um sistema de transporte deficiente - o metrô não
consegue avançar por causa da proteção aos sítios arqueológicos -,
mas com as principais atrações concentradas numa área relativamente
pequena, Roma é perfeita para quem gosta de caminhar. Você vai precisar
de boas pernas não só para subir ao domo da Basílica de São Pedro ou
percorrer os labirintos do Coliseu, mas também para passear ao léu pela
cidade, de uma praça a outra, ou para voltar a pé do bairro boêmio do
Trastevere até o hotel, porque - você vai descobrir logo na primeira
noite - encontrar um táxi livre em horários de pico nesta cidade beira o
impossível. Antes de botar o pé na estrada, porém, observe bem o
(louco) trânsito local para não ser surpreendido.
O melhor é fazer como os romanos: não levar a
sinalização tão a sério. Aqui, as placas de trânsito não têm o peso
de uma ordem, mas apenas ode uma sugestão, uma referência. É como se o
sinal de contramão significasse "é recomendável não circular
nessa direção" em vez de "é proibido". Por isso, além
de conferir o semáforo ao atravessar uma avenida, calcule sempre a sua
possibilidade de escapar ao ataque traiçoeiro de um carro ou de uma moto.
A presença dos guardas não conta muito - a prefeitura já entregou os
pontos, até porque o índice de acidentes nas ruas é misteriosamente
baixo. Na falta de uma explicação melhor, os romanos preferem acreditar
que isso se deve à proteção de Santa Francesca Romana, a padroeira dos
motoristas.
Seja como for, aproveite o fato de estar numa cidade
plana, pontilhada apenas por elevações suaves - as famosas sete colinas
romanas, todas na margem esquerda do Rio Tibre -, para passear bastante a
pé. Os principais monumentos da Roma antiga, como o Fórum Romano, o
Coliseu, o Palatino, o Circo Massimo e os vários arcos triunfais em
homenagem às grandes conquistas dos imperadores estão bem perto uns dos
outros e podem ser percorridos em uma hora e meia de caminhada. Mas, como
você não veio a Roma para fazer maratona, isso só tem sentido se quiser
fazer um reconhecimento do terreno para voltar mais tarde. Reserve pelo
menos duas manhãs ou duas tardes para visitar esses lugares carregados de
história.
O Fórum Romano, centro político e comercial da antiga
capital do império, é um impressionante conjunto de ruínas de templos
construídos desde os tempos de Júlio César, no ano 46 antes de Cristo.
Abandonado durante muito tempo - na Idade Média, o Arco de Sétimo
Severo, parcialmente soterrado, chegou a abrigar uma barbearia -, o lugar
começou a ser recuperado no século 18 e as escavações continuam até
hoje, em busca de novas pecinhas para esse gigantesco quebra cabeças
arqueológico que é a velha Roma. Muitas dessas peças, pedaços de pedra
usados nos monumentos, estão espalhadas por toda a área e servem de
banco para turistas e estudantes dos colégios romanos que têm o
privilégio de aprender sobre episódios históricos no local onde eles
aconteceram. A Rostra imperial, a tribuna onde Marco Antonio fez o
célebre discurso que levou à punição dos assassinos de Júlio César,
por exemplo, fica aqui.
Nada, porém, se compara à imponência do Coliseu, o
maior anfiteatro da antigüidade, cujo esqueleto ainda está quase todo de
pé, apesar de todas as depredações sofridas ao longo dos séculos. Como
a pilhagem de monumentos antigos para a construção de novos eram uma
prática comum em Roma, boa parte do mármore do Coliseu foi parar na
Basílica de São Pedro, no Vaticano. O que restou, porém, é mais que
suficiente para se ter idéia da perfeição do projeto arquitetônico
dessa arena em que gladiadores lutavam pela vida diante de mais de 50 mil
pessoas. Do tamanho de um estádio médio de futebol, como o do Pacaembu,
em São Paulo, o Coliseu dá uma lição de engenhosidade e simplicidade
com seus 80 portões em arcos para a entrada dos espectadores e os amplos
corredores internos que garantiam acesso às arquibancadas em menos de dez
minutos. Na sua inauguração, no ano 80 d.C., o imperador Tito decretou
cem dias ininterruptos de festa, durante os quais mais de 5 mil feras
foram abatidas. Hoje, quem faz a festa por aqui são os vendedores
ambulantes e os saltimbancos que se vestem de gladiadores para tirar fotos
com os turistas, por 3 dólares. Enquanto os japoneses fazem fila para as
fotos, os brasileiros aproveitam o câmbio favorável e arrematam 20
cartões-postais por 1 real. Isso mesmo: no Coliseu o real não só é
moeda corrente como vale o mesmo que o dólar.
No Palatino, que fica bem ao lado do Fórum, estão os
resquícios da Roma mais antiga, onde, segundo a lenda, Rômulo e Remo
foram criados por uma loba e fundaram a cidade em 2 de abril de 753 a.C. -
a precisão da data é uma licença do historiador clássico Tito Lívio.
Sinais de cabanas datadas do século 9 a.C., encontrados no local, dão
apoio a essa lenda. As ruínas mais preservadas do Palatino, porém, são
de casas mais recentes, da época do império, inclusive a do imperador
Augusto, que recusou as mordomias do cargo e preferiu continuar morando
lá quando subiu ao poder. Já no vizinho Circo Massimo, aquele exuberante
estádio para corrida de bigas reproduzido no filme Ben-Hur, capaz de
acomodar até 250 mil pessoas - quase o dobro da capacidade do Maracanã!
- só restou o gramado. Desativado no século 6 por pressão da Igreja -
àquela altura já dando as ordens em Roma e empenhada em substituir os
monumentos pagãos pelos cristãos -,o Circo Massimo foi completamente
saqueado. O imenso espaço vazio deixado no meio da cidade, porém,
instiga a imaginação.
Para digerir tanta informação histórica sem se
cansar, o melhor segredo é intercalar as visitas aos monumentos com
passeios pelas praças e fontes romanas sem esquecer, naturalmente, das
expedições às tratorias, cafés e sorveterias. Nenhuma cidade do mundo
tem praças e fontes tão espetaculares quanto Roma, que deve isso ao
maciço investimento feito pela Igreja Católica, nos séculos 16 e 17,
preocupada em evitar a fuga de fiéis rumo ao nascente protestantismo.
Graças a essa disputa religiosa, a cidade ganhou novas igrejas e
multiplicou o acervo artístico que hoje abarrota seus templos, praças e
museus. Nas praças romanas, o artista que deixou mais obras foi Gian
Lorenzo Bernini, mesmo que desenhou as colunas que circundam a Praça de
São Pedro, no Vaticano, e projetou o baldaquino da basílica - aquela
magnífica cúpula de bronze que se ergue a 20 metros de altura do altar
papal.
Só na Piazza Navona, uma das maiores de Roma, há
fontes barrocas de Bernini, uma mais bonita que a outra - a dei Fiumi, a
de Netuno e a de II Moro -, jorrando nas extremidades e no centro desse
espaço em forma de elipse, onde havia corridas de bigas nos tempos do
imperador Domiciano. Rodeada por cafés e tomada por pintores e
caricaturistas que expõem seus trabalhos ao público, a praça é um
desses lugares irresistíveis da cidade, especialmente nos dias de sol. Se
passar por aqui e tiver vontade de cancelar o programa que iria fazer
depois, relaxe, isso acontece com quase todo mundo. Ver a tarde cair
devagar na Navona, acompanhado de um capuccino, um bom vinho ou uma taça
de sorvete, vai aquecer sua alma de viajante e recuperar suas pernas. É
tão indicado, que você pode perfeitamente devolver àquele amigo chato -
o mesmo que questionou o seu roteiro em Roma - uma expressão de espanto
ao saber que ele passou por aqui apressado, ou nem passou, tão preocupado
estava em ver mais um museu. Se estiver só, há boas chances de você
dividir um tartufo de chocolate com alguém na Praça Navona, aderindo ao
clima de romance que impregna a cidade.
Mais romântica ainda é a Piazza di Spagna, enfeitada
por outra fonte de Bernini - só não se sabe ao certo se ela foi
projetada por Lorenzo ou por seu pai, Pietro. A escadaria de 136 degraus
que sobe da praça até a Igreja Trinità dei Monti é um disputado ponto
de repouso para os caminhantes, formando um painel humano que põe em
destaque a grande proporção de casais que procuram o lugar.
Os mais jovens passam horas aqui, descendo de tempos em
tempos para matar a sede no jorro que cai sobre a escultura em forma de
navio - na maioria das fontes romanas a água é potável. Conforme o
calor, que costuma chegar ao auge em agosto, alguns aproveitam para
refrescar o corpo, sob o olhar desaprovador dos carabinieri, os guardas
municipais. Já os casais mais maduros - e os mais dispostos a gastar -
costumam ser os principais clientes dos charreteiros da Piazza di Spagna,
bem como dos elegantes Caffé Greco e Tea Room Babington´s. O passeio de
charrete - que também pode ser contratado em outros pontos da cidade,
como o Coliseu e a Praça de São Pedro - dura 50 minutos e leva até
cinco pessoas por 135 dólares. O Greco, aberto desde 1760, foi
freqüentado por celebridades como Goethe, Wagner, Liszt e Casanova. A
casa de chá Babington´s, embora mais recente, é um reduto ainda mais
tradicional, fiel ao estilo inglês.
Outra atração bastante concorrida nas imediações da
Piazza di Spagna é o comérccio sofisticado que se concentra nas vias
Condotti, Borgognona e Frattina, no lado oposto ao da escadaria. Vale a
pena dar uma espiada nas vitrines, que expõem a vanguarda da moda mundial
- principalmente se você passar por aqui durante as liquidações, que
vão de meados de julho a meados de setembro, e do Natal ao início de
março. Com preços reduzidos em até 50%, você corre o risco de
encontrar um traje completo de Valentino (terno, camisa e sapatos) por
cerca de mil dólares, por exemplo. É menos do que custaria em Paris ou
Milão, mas nada que se compare às pechinchas - de marcas menos famosas,
bem entendido - que podem ser garimpadas nas lojas da Via Nazionale, em
qualquer época.
A multidão que se aglomera ao redor da Fontana di
Trevi, a fonte mais badalada de Roma, também ser encontrada em qualquer
mês do ano, graças a uma tradição irresistível: a crença em que todo
visitante que jogar uma moeda na água acaba voltando à cidade.
Excursões inteiras participam desse ritual, que rende um bom dinheiro à
prefeitura e alguns trocados a inusitados pescadores urbanos, que, longe
das vistas dos fiscais, lançam varas com ímãs para recolher moedas. Um
dos símbolos mais populares de Roma, Fontana di Trevi foi celebrizada no
cinema, principalmente no filme A Doce Vida, de Fellini, no qual a imagem
mais marcante é o sensual banho de Anita Ekberg ao lado de Marcello
Mastroianni (veja quadro). Contrariando a regra, Fontana di Trevi é uma
obra de Nicholas Salvi, inaugura da em 1762, quase um século depois da
morte de Bernini
Quem esteve na capital italiana alguns anos atrás e
lamentou encontrar a Fontana de Trevi em restauração, hoje vai poder
admirá-la em estado perfeito. Numa cidade com um patrimônio histórico e
artístico tão grande, é inevitável estar sempre fechando algumas
atrações à visitação pública e reabrindo outras, para que todas
sejam preservadas (veja quadro). A Basílica de São Pedro, no Vaticano,
por exemplo, está nesse momento com a fachada cheia de tapum - e deve
ficar assim até o final do ano que vem, para chegar à virada do milênio
em todo o seu esplendor. Se isso vai tirar o charme das fotos que você
pretendia fazer, console-se com a recuperação do Juízo Final, o
fantástico afresco de Michelangelo em exposição na Capela Sistina, que
passou anos sendo recuperado. Quem viu a obra de Michangelo antes da
restauração, não viu com as cores que tem hoje.
O Vaticano é um território especial dentro de Roma,
não só por sua condição de Estado independente, mas pela
concentração de atrativos turísticos - além de poder e mistério -
numa área tão pequena, equivalente a um quarto do Parque do Ibirapuera
de São Paulo, exemplo, ou a cinqüenta campos de futebol. Instalados em
palácios renascentistas construídos para os papas, seus museus se juntam
numa enorme galeria ao lado da basílica e reúnem uma das maiores
coleções de arte do mundo inteiro. Se dedicasse um minuto para ver cada
uma das mais de 18 mil esculturas, afrescos e relíquias religiosas em
exposição, durante as oito horas por dia, uma pessoa precisaria passar
38 dias aqui dentro para ver tudo direito.
Como os museus vivem cheios - o público médio é de
10 pessoas por dia -, o labirinto de corredores serve para conter a
multidão e evitar que a Capela Sistina e as Salas de Rafael fiquem
entupidas de gente OS mais afoitos, que quiserem ir direto para as
principais atrações, são induzidos por placas a fazer um trajeto
tortuoso, pelo mesmo motivo. Por isso, o melhor é relaxar, selecionar com
a ajuda de um guia as obras que julgar mais interessantes e deixar a
visita à basílica para outra hora. Se quiser ver o papa, vá à
basílica aos domingos, quando João Paulo II fala aos fiéis na Praça de
São Pedro ao meio-dia, ou às quartas-feiras, quando ele dá audiências
públicas num salão específico para isso, às 11 horas - apanhe o
convite com antecedência numa agência de turismo ou na Prefettura della
Casa Pontifícia, no próprio Vaticano. Mas se o papa estiver viajando
quando você for a Roma - o que ele ainda faz bastante, apesar do estado
de saúde delicado -, encare isso com a mesma naturalidade que se deve ter
diante de um monumento em restauração, ou de um museu romano fechado por
greve de funcionários. E aproveite, digamos, para passear na Via Veneto,
conhecer o mercado de pulgas de Porta Portese (se for um domingo) ou andar
de bicicleta no enorme parque de Villa Borghese - onde, por sinal, fica o
tal Museu Etrusco citado por aquele seu amigo.
Investir numa refeição mais demorada também é
sempre uma ótima opção. Os restaurantes populares - que podem ser
designados pelos mais diversos nomes, como tratoria, tavola calda,
osteria, taverna e locande - espalham-se pela cidade inteira, mas
concentram-se sobretudo no bairro Trastevere e nas imediações das
praças mais movimentadas. Os que funcionam ao ar livre, cercados por
canteiros de plantas, são os mais sedutores nos dias quentes, mas às
vezes a melhor comida se esconde em minúsculos estabelecimentos de ruas
comerciais. Para descobrir um desses endereços anônimos, aposte no bom
gosto do porteiro do hotel ou do taxista, perguntando a eles onde gostam
de comer com a família. Nenhum guia de Roma, por exemplo, faz menção à
discreta Trattoria da Valentino, na Via Cavour, embora sua cozinha seja
impecável - experimente o ossobuco de vitela, primoroso. Se quiser animar
o ambiente, fale de futebol com um dos garçons: em dois minutos todos
estarão discutindo, pela enésima vez, se o time do Roma é melhor do que
o Lazio, ou vice-versa.
Algumas tratorias combinam a boa qualidade da comida
com instalações particularmente agradáveis, como a Otello alla
Concordia, perto da Piazza di Spagna, e a Angelino a Tor Margana, que
ocupa uma pracinha quase secreta, a duas quadras da Mattei, onde fica a
Fontana delle Tartarughe. Outros restaurantes valem só pela atmosfera
romântica, como é o caso da Trattoria Romolo, no Trastevere, famosa pelo
belíssimo jardim de inverno coberto por uma parreira centenária, e por
ter sido cenário do romance do pintor Rafael com sua amante Margherita
Luti. A Romolo não se destaca pela comida e também está longe de ser um
lugar barato. Mas os casais que lotam a casa todas as noites não dão a
menor importância a isso. Estão ali para jantar à luz de velas, numa
cidade feita para o amor.
Uma cidade com jeito de estrela de cinema
Mesmo sem nunca ter viajado para a capital italiana,
você pode reconhecer várias das atrações da cidade pelo que lembra dos
filmes rodados aqui. A Fontana di Trevi, por exemplo, serviu de cenário,
entre outros, para os românticos A Fonte dos Desejos e A Princesa e o
Plebeu, além do irônico A Doce Vida, de Federico Fellini. Se os dois
primeiros exploram mais a tradição popular que incentiva os visitantes a
jogar uma moeda na fonte para voltar à cidade, no filme de Fellini a
Fontana di Trevi serve de cenário para um sensual banho de Aflita Ekberg,
acompanhada por um indeciso Marcello Mastroianni. Quem viu, nunca esqueceu
- e vai ter vontade de entrar na água, de roupa e tudo, no meio da
madrugada. Roma foi cenário natural, também, de clássicos do
neo-realismo italiano dos anos 40, como Roma, Cidade Aberta, de Roberto
Rossellini, e Ladrões de Bicicleta, de Vittorio de Sica. São antigos,
mas importantes e disponíveis em qualquer locadora - o que
lamentavelmente não é o caso de outra jóia de Fellini, o filme Roma, de
1972. Numa das cenas antológicas desse filme, uma equipe de escavadores,
trabalhando na expansão do metrô local, encontra um sítio arqueológico
fantástico e inesperado, com afrescos que só eles terão o privilégio
de admirar antes que se oxidem no contato com o ar. Roma é fascinante
também pelo que não se conhece dela. Pense nisso antes de dizer que o
metrô daqui liga nada a lugar nenhum.
Um exército de restauradores vigia as ruínas
Para cuidar do seu imenso patrimônio arquitetônico e
artístico, Roma mobiliza um verdadeiro exército de restauradores. Em
qualquer monumento que se vá, há sempre uma área interditada sendo
recuperada, num processo permanente que tem como objetivo preservar ao
máximo as inúmeras atrações romanas. A cidade não consegue evitar,
porém, os efeitos danosos da poluição sobre o mármore de seus
monumentos, que deixa uma crosta preta de fuligem que, ao ser retirada,
acaba desgastando cada vez mais esses blocos lapidados há mais de mil
anos.
Especialistas calculam que essa poluição - dos
automóveis, principalmente - leve à erosão de 1 milímetro de mármore
a cada 25 anos. Uma das saídas para evitar esse desgaste seria levar as
peças mais preciosas para dentro de museus, como se fez com a Cariátides
de Atenas, também ameaçada pela fumaça. Mas a quantidade dos monumentos
romanos está acima da capacidade de qualquer museu. A melhor solução
seria mesmo a redução drástico da emissão de poluentes, com a
restrição cada vez maior da circulação de automóveis no centro - o
que Roma nunca soube direito como fazer.
Os cardápios romanos vão muito além das massas.
Arrisque
De consistência mais firme do que as nossas, porque o
trigo usado aqui é mais duro, as massas romanas podem vir à mesa com uma
grande variedade de tipos e molhos. Duas receitas tradicionais são o
espaguete à carbonara, com ovos e bacon, e o macarrão com tomate e
rúcula (foto), que, além de saboroso, destaca-se pela combinação das
cores nacionais italianas - branco, vermelho e verde. O cardápio dos
restaurantes, porém, é em geral, variado e criativo, com muitas opções
à base de carne, peixes (chegam fresquíssimos do Mediterrâneo) e
miúdos (a tripa à romana é famosíssima).
Roma é assim
Como chegar
A Varig e a Alitalia têm vôos diretos para Roma. Os
vôos da Varig são na segunda e sexta-feira, enquanto os da Alitalia saem
às segundas, terças, quartas, quintas e sábados (começam no Rio e
fazem escala em São Paulo). A Varig também tem vôos aos domingos,
quartas e sábados com escala em Milão.
Quem Leva
Há duas operadoras especializadas na Itália: a Cit
(011) 257-0099 e a Polvani (011) 883-4411. Ambas têm diversas opções de
pacotes para lá. Quem quiser ficar apenas em Roma paga US$ 1 569 na Cit
com direito a parte aérea, 6 pernoites em hotel econômico, traslados,
city tour e seguro. A opção da Polvani, sem parte aérea, inclui 7
pernoites em hotel de primeira categoria, 3 refeições, 3 dias de
passeios em Roma, excursão a Sorrento e traslados e custa US$ 1 180. Quem
quiser estender a viagem para outras cidades italianas, tem um leque de
opções bem maior, com pacotes de até 20 dias.
Câmbio
A lira italiana é dessas moedas cheias de zero: a
cotação é de 1 750 liras por 1 dólar. O real já é aceito em várias
casas de câmbio, por cerca de 1 400 liras. Compre um - pouco de liras
logo no aeroporto e, assim que tiver uma previsão de gastos, compre o
resto, para não perder nas comissões.
Quanto Custa (em dólar)
Passagem a Roma, 7 diárias em hotel econômico,
refeições e passeios - 3 000
Ingresso no Coliseu - 6
Filme de 36 poses - 3,50
Passe de metrô e ônibus, válido por um dia - 3,50
Refeição com vinho - 30
Táxi do aeroporto ao centro - 40
1 camisa do Valentino - 100
1 camiseta de camelô - 3
Idioma
O italiano é mais parecido com o português do que
você poderia imaginar. Em pouco tempo, vai entender o sentido de muitas
frases que ouvir na rua. Faça um esforço para entender o que os romanos
dizem e na medida do possível participe da conversa: eles vão adorar.
Quando precisar, recorra a palavras em inglês e espanhol. Muitos
entendem.
Documentação
Não é necessário visto de turista para entrar na
Itália. O passaporte é retido por alguns minutos na portaria do hotel,
para o registro que é passado à policia, e devolvido em seguida. Ande
sempre com o passaporte e com um cartão de crédito internacional. Se
pretender alugar um carro, a carteira brasileira de habilitação é
aceita, mas a internacional é bem melhor.
O que levar
Faça uma bagagem enxuta, para poder rechear de
compras. Coloque nela roupas confortáveis para aproveitar melhor as
caminhadas, começando por um bom par de tênis, um boné e os óculos
escuros. No inverno, um sobretudo é imprescindível, para não arranjar
desculpa para ficar no hotel (se preferir, compre um lá). E não esqueça
da câmara fotográfica e/ou da filmadora.
O que trazer
Se quiser renovar o guarda-roupa, você está na cidade
certa. O corte italiano é muito elegante e os preços em Roma são
ótimos. Basta ter um pouco de paciência para procurar as melhores
ofertas. Você vai encontrar também muitos objetos decorativos
interessantes para a sua casa, além de uma enorme variedade de
lembrancinhas. Mas traga sobretudo boas recordações de sua viagem.
Horários
A maioria dos museus abre de manhã, de terça a
domingo. Para não ser surpreendido, verifique os horários antes de ir. A
maioria dos museus cobra pela visita, enquanto com as igrejas ocorre o
contrário: em quase todas a entrada é de graça. Os bancos funcionam das
8h30 às 13h20, de segunda a sexta (alguns abrem também das 15h às
16h30). A linha A do metrô funciona das 5h30 às 23h30 e a linha B vai
até às 22h30.
O que evitar
Viajar sozinho (ou continuar sozinho depois que chegar
lá). Alugar um carro (vai descobrir por que na primeira vez que procurar
uma vaga para estacionar). A ansiedade de querer ver tudo. Ficar muito
dependente do táxi (ele pode não vir). Deixar a carteira desprotegida
(os punguistas continuam em ação). Irritar-se com a demora do garçom
(se pediu refrigerante, ele tem lá suas razões).
Melhor Época
Roma é bonita sempre, mas chega ao auge na primavera
(abril a junho) e no outono (outubro a dezembro). Embora essas estações
possam atrasar ou adiantar ao sabor do El Niño, vale a pena planejar a
viagem em função delas, reservando as passagens, pacotes e hotéis com
alguns meses de antecedência. Os meses menos interessantes costumam ser
novembro (quando as chuvas são mais freqüentes) e agosto (quando muitos
romanos aproveitam o forte calor para sair de férias).
Como se diz
Bom dia! - Buon giorno!
Obrigado - Grazie
Qual é seu nome? - Come si chiama?
Como se diz em italiano... - Come si dice in
italiano...
Você fala português? - Parla portughese?
Entendeu? - Capisce?
Quero um quarto de casal - Vorrei una camera
matrimoniale
Pode indicar outro hotel? - Mi puo indicare un altro
albergo?
Onde fica o ponto de ônibus? - Dov´é la fermata
dell´autobus?
Garçom! - Camariere!
Uma garrafa de vinho tinto - Una bottiglia di vino
rosso
Eu não pedi isso - lo non ho ordinato questo
A conta, por favor - Il conto, per favore
O que quer dizer? - Che cosa vuol dire?
Com licença - Scusi
Não tem importância - Non importa
Toque do autor
"Reserve o hotel, compre as passagens, assista aos
vídeos de A Doce Vida e A Princesa e o Plebeu, providencie um guia para
imaginar seus passeios em Roma. Mas deixe espaço também para a sua
imaginação voar quando estiver lá. E mude os planos quantas vezes
quiser, em homenagem à cidade e a você mesmo."
|